terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Gerador de desejos

Mundo vasto mundo. Chegou a hora de acertar as contas deste final de ano.
Não há escapatória, não é mesmo? Já que é assim, me dou ao menos ao luxo de escolher o porvir a remoer o que já passou.
Não. Não quero saber dos dez melhores, dos dez piores ou do que poderia ter sido mas não foi.
Sei apenas que doze meses são o suficiente para qualquer um entregar os pontos. Eis aí que mora o milagre da renovação, onde nasce uma nova vontade de recomeçar tudo com um outro número e uma nova esperança que daqui pra frente vai ser diferente.

Mesmo sabendo, mundo vasto mundo, que se eu fosse dava na mesma, insisto pensar no porvir.

Aí eu faria mesmo sem porque justamente é que aí mora .

Mundo vasto mundo, só preciso para por os meus planos em prática.

Somaria ainda porque, por Deus, também mereço.

Das três metamorfoses



Das três metamorfoses do espírito: como o espírito se transforma em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.
Há muitas coisas pesadas para o espírito, para o espírito forte e sólido, imbuído de respeito.

(...)
O espírito transformado em besta de carga se sobrecarrega das coisas pesadas, por mais pesadas que sejam. Como o camelo, apenas carregado, corre em direção ao deserto, assim apressa o espírito para o seu deserto.

Na extrema solidão do deserto, ocorre a segunda metamorfose. O espírito se transforma em leão. Pretende conquistar a sua liberdade e ser o rei de seu próprio deserto.
Procura então seu último senhor. Quer ser seu inimigo e seu último Deus. Para sair vencedor, quer lutar com o grande dragão.

Qual é o grande dragão a que o espírito já não quer chamar senhor nem Deus?
"Tu deves", assim se chama o grande dragão.
Mas o espírito do leão diz: "Eu quero"


(...)
A criança é inocência, esquecimento, um recomeço, um brinquedo, uma roda que gira por si própria, movimento primeiro, uma santa afirmação.

(...)


Nietzsche, Das três metamorfoses in Assim Falava Zaratustra.


* * *
Esta é a minha retrospectiva pessoal do ano de 2005.
Até julho fui camelo, depois virei leão.
Hoje estou num limbo que anuncia a metamorfose deste leão.

Que em 2006, ou antes, venha a criança.

* * *
Arcano XXII: O Louco, em posição direita.

domingo, 25 de dezembro de 2005

Alone

Psiquicamente voltei a jogar Alone in The Dark.
Freud deve saber o porquê.

Pensando bem, Freud não: Jung.
O meu caso é de terapia Junguiana.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

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A hecatombe anual chegou, quase tão ruim quanto o dia dos namorados.

Ao natal e às reuniões familiares:
My ass.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Fogo fátuo



A Fogueira [Medurat Hashevet]
(2004)

Em 1981 Rachel, viúva há um ano decide ir a encontros armados por uma amiga.
Por essas conhece Yossi, um motorista de ônibus já veterano desses encontros murchos e malfadados.
Ele conhece bem as pessoas ocasionais e sabe que Rachel é diferente.
Ou ao menos gostaria que ela fosse diferente.
Afinal, as pessoas ocasionais, assim como os apartamentos alugados e as cidades, foram feitas para serem abandonadas.

Após várias caronas no ônibus de Yossi, a sensação é de ternura misturada a coito interrompido. Algo substancialmente falta. Algo é abortado antes mesmo de ser concebido.

Não se contendo ele diz:
- Sei que está ficando comigo porque não encontrou outro melhor, mesmo assim, eu queria dizer que eu te amo. (*vide nota de rodapé)

Ela foge do olhar dele - foge na verdade dela mesma, porque somos o reflexo do olhar do outro. Sim, nós somos.
Desde pela porta dianteira do ônibus velho e pára.

Ele: O que você espera?
Ela: Não sei... já me disseram que eu precisava esperar a hora certa, como se fossem fogos, mas eu não sei...
Nunca me apaxonei de verdade.... Nunca...

Ele: Os fogos não existem. Só é capaz de ver a si mesma.
Você é egoísta.

* * *

(*) Esta é uma frase proibida. Nunca diga.
Na dúvida bata uma punheta bem demorada.
Passa.

domingo, 18 de dezembro de 2005

Metafórico

Aqui no 29o, enquanto o grito da vida me emudece, uma outra companhia se faz presente além do Caio:
Nietzsche.

Se eu pudesse materializá-lo diria a ele que valeu a espera de 28 anos para conhecê-lo.
Valeu, sim.

Em suas palavras:
É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas estamos habituados a amar.
Há sempre algo de loucura no amor, mas também há sempre algo de razão na loucura.


in Assim falava Zaratustra.

Assim amo. Amor louco.
E mudo. Contido na razão da minha loucura solitária.
Mudo, afinal somos um coração solitário na medida em que defendemos causas em que só nós acreditamos.
Não é Nietzsche? Sempre assim.

Por essas os corações solitários e loucos se desencontram lá embaixo.

sábado, 17 de dezembro de 2005

in Transe

Gente, o que é o Susi in Transe ao meio dia?

No momento não estou em condições de elaborar nada além da seguinte frase:
- Catuaba nunca mais. Nunca mesmo.

Acho que vou ali vomitar.
Minha cabeça dói....

Preciso de um abraço.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

HELL HELL HELL



Então hoje tem The Boom Boom Chicks no Susi in Transe, ali debaixo do modorrento Elevado Costa e Silva, o Minhocão.
Adoro.

Se eu tivesse uma banda ela seria mais ou menos assim: crua, com meninas mau humoradas e rócão básico cheio de guitarras punk bêbadas.
Tudo com direito às dancinhas da baterista que toca só bumbo.

* * *
Na falta de uma companhia, levarei o meu corpinho lá. Certeza.
Com um pouco de sorte darei a ele, sexo e drogas também.
Ok... Sejamos realistas e pragmáticos: em meu atual estado vegetativo, sem sexo mesmo...
Quem sabe, algum teor álcoolico.

The Boom Boom Chicks - Queen Bee

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

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Mais uma do Caio.
Boa Caio.

"(...) Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pantanal de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada."

in Os Dragões Não Conhecem o Paraíso,
Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

O limbo.

O mar de solidão da Torre.
Sem dúvidas a melhor noite. Mas o mar de solidão, aqui entendido como sentir-se subitamente invisível em plena multidão, fez com que eu preferisse ir embora. Abandono de missão. Água na batalha-naval. Over. Grito mudo sufocado. O ovo apunhalado.

Nestas ocasiões fico em dúvidas sobre onde geograficamente estaria localizado este mar de solidão.
Talvez num limbo, meio fora, meio dentro de mim.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

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Alguém me convida pra um café da manhã?
...

Alô?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Fome - parte I

Por essas, do alto do 29o., Caio me acompanha.
Segue, em partes do tamanho correspondente a quanto meus dedos conseguirem digitar, algo que poderia ser uma versão masculina da Macabéa. Ah, essa miséria humana... Talvez seja melhor assim: um Caio homeopático - Dragões não conhecem o paraíso.

Bom divertimento,
ou não.

* * *


   Um aquário de águas sujas, a noite e a névoa da noite onde eles navegavam sem me ver, peixes cegos ignorantes de seu caminho inevitável em direção um ao outro e a mim. Pleno inverno gelado, agosto e madrugada na esquina da loja funerária, eles navegavam entre punks, neons, prostitutas e gemidos de sintetizador eletrônico - sons, algas, águas - soltos no espaço que separa o bar maldito das trevas do parque, na cidade que não é nem será mais a de um deles. Porque cidades, como as pessoas ocasionais e os apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas [É isso aí. Caio!] - reflete, enquanto navega.

   Ele: esse homem de quase quarenta anos, começando a beber um pouco de mais, não muito, só o suficiente para acender a emoção cansada, e a perder cabelo do alto da cabeça, não muito, mas o suficiente para algumas piadas patéticas. Sobre esse espaço vazio de cabelos no alto da cabeça caem gotas de sereno, cristais e névoa, e por baixo dele acontecem certos pensamentoa altos na noite, algum álcool e muita solidão. Ele acende um cigarro molhado, ele ergue a gola do impermeável cinza até as orelhas. Nesse gesto, a mão que segura o cigarro roça áspera na barba de três dias. Ele suspira, então, gelado.

   Há muitas outras coisas que se poderia dizer sobre esse homem nesta noite turva, nesse bar onde agora entra, na cidade que um dia foi dele. mas parado aqui, no fundo do mesmo bar em que ele entra, sem passado, porque não têm passado os homens de quase quarenta anos que caminham sozinhos pelas madrugadas - todas essas coisas um tanto vagas, um tanto tolas, são tudo o que posso dizer sobre ele. Assim magro, molhado, meio curvo de magreza, frio e estranhamento. O estranhamento típico dos homens de quase quarenta anos vagando pelas noites de cidades que, por terem deixado de ser a deles, tornaram-se ainda mais desconhecidas que qualquer outra.

   O bar é igual a um longo corredor polonês. As paredes demarcadas - à direita de quem entra, mas à esquerda de onde contemplo - pelo balcão comprido e, do lado oposto, pela linha, estendida horizontal da porta de entrada até a juke-box do fundo onde estou e espio, ele se movimenta - magro, curvo, molhado - entre pessoas enevoadas. Vestido de escuro, massa negra, monstro vomitado pelas ondas noturnas na areia suja do bar. Entre essas pessoas, embora vestido de cinza, ele parece todo branco.

   O homem pede uma cerveja no balcão, depois se perde outra vez no meio das gentes. Alongando o pescoço, mal consigo acompanhar o topo da sua cabeça de homem alto, meio calvo, até que ele descubra a cadeira vazia na mesa onde está sentado aquele rapaz. E daqui onde estou, ao lado da máquina de música próxima ao corredor que afunda na luz mortiça dos banheiros imundos, posso vê-los e ouvi-los perfeitamente através do bafo de cerveja, desodorante sanitário e mijo que chegam juntos às nossas narinas.

   Na máquina de música, para embalar esse encontro que eles ainda não perceberam que estão tendo [boa], para ajudá-los a navegar melhor nisso por enquanto não tem nome e poderiam sequer, se eu não ajudasse - escolherei lentos blues, solos sofridos de sax, pianos lentíssimos, à beira do êxtase, clarinetas ofegantes e vozes graves, negras vozes roucas ásperas de cigarros, mas aveludadas por goles de bourbon ou conhaque, para que tudo escorra dourado como a bebida de outras águas, não estas, tão turvas, de onde emergiram dois pobres peixes cegos da noite, para sempre ignorantes da minha presença aqui, junto à máquina de música, ao lado do corredor que leva aos banheiros imundos, a criar claridades impossíveis e a ninar com canções malditas esse encontro inesperado, tanto por eles, que navegam cegos, quanto por mim, pescador sem anzol debruçado sobre a água do espaço que me separa deles.

(...)
Continua...

Arcano do Tarô: O Julgamento.

sábado, 26 de novembro de 2005

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Morangos mofados.

Na feira da História tinha um Caio Fernando Abreu por 22. Não resistindo à pechincha, o amargo, pungente, descrente em minutos estava em minhas mãos. Sempre preciso me armar de alguma coragem - ou me despir de mim mesmo? - para enfrentá-lo.
É como se eu passasse a viver o seu mundo e compartilhar de uma dor difusa, algo que dói como um todo sem saber direito onde e porquê.

E sonho esse sonho
que se estende
em rua, em rua
em rua
em vão

in Papos de Anjo, Lúcia Villares


Enquanto Caio me acompanha, vejo a cidade acontecer do 29o a meia luz: os dragões não conhecem o paraíso.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Juízos provisórios



Chegou a hora de falar sobre o Thiago.
O conheci numa longínqua época pré-orkuteana, mais ou menos quando os blogs eram modinha, quando adorávamos vestir a carapuça indie ao mesmo tempo que a negávamos até a morte. Naquela época, ele estava a frente da Popscene, junto com a Flávia e o Hector. Bastaram alguns comments aqui e ali e surgiu uma oportunidade de baixar em Santos.
Lembro a primeira sensação ao vê-lo. Não sabia direito sobre o que conversar com aquela criatura hétera - sim, ele já foi hétero um dia. Enquanto escrevo este post, me vem nitidamente à mente alguns flashs daquela noite: me sentia meio Macabéa tentando achar coisas inteligentes na Rádio Relógio pra falar. Ou modernas... ou engraçadas... ou... ou... ou qualquer coisa que eu julgasse ter a ver com uma imagem que eu havia construído a respeito dele através dos nossos contatos via web.

Aliás é assim mesmo: não conhecemos uns as outros, mas sim uma imagem do outro. Um juízo provisório que em geral pouco tem a ver com pessoa. Psicanaliticamente equivale a dizer que você, caro leitor, não conhece a sua mãe, mas sim a representação dela.
É verdade que estes juízos provisórios tendem a ser refinados com o tempo, a se tornarem mais próximos do que a pessoa seja na realidade.

Assim foi. Com o passar do tempo Deus inventou o orkut e algum anjo torto forçou a minha entrada no MSN.
Descobri, então, o quão ridículo fui naquele primeiro encontro: um abraço e um sorriso bastariam - por detrás da fachada libertária - e refratária! - do Thiago Baraldi, tem carne e osso, tem sentimentos.
Além disso, há também um passado nerd, realidade por nós compartilhada. Um passado nerd do qual nos orgulhamos, mas também queremos nos vingar. Estou errado?

Daí ele se tatuou. Fez questão, sabiamente, de puxar a minha orelha quando falei mal das balinhas de goma. Tem - sempre teve - uma visão libertária acerca do mundo.

Quanto a mim, embora não tenha me tatuado, (apesar de estar na pauta das minhas cobiças), me furei todo. Aprendi a tomar cerveja em copo de requeijão e a dar um grande foda-se mental à uma moral imbecil que sempre me fora empurrada. Tudo influência do Thiago, coisas que talvez até este momento ele não soubesse, acredito.

Agora ele ganha o mundo. Vai pra Barcelona sem volta prevista.
Espero que leve na bagagem o meu abraço, a certeza da minha admiração e os meus votos de felicidade.
Afinal, alguém desta nossa geração gouche precisa desencalacrar.

Adeus Espantalho, adeus Homem de Lata.

Doce novembro

Novembro não tem uma cara definida.
Não é o mês das férias, nem do carnaval, nem das festas juninas.
No máximo, é o mês que antecede o do natal, o mês do final de semestre em que estamos tacitamente imersos e relatórios disto e daquilo.

Talvez seja por isso mesmo, sempre tive a impressão que novembro voa: num piscar de olhos já passamos do dia 20.

Importante mesmo é que no décimo primeiro mês do calendário gregoriano, completo primaveras. 28, nesta edição.
28 com disposição de 18 e cabelos de 48.

Sobre a comeração, em breve fornecerei mais comandos ao corpo de baile.

Aguardemm

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Coisas

Se delícia fosse uma imagem, ela seria assim.

I love Miami

Tinha planejado mundos e fundos - como já dizia minha avó - para este feriado. De fato pilhas de textos seculares esperavam por uma vista e, quem sabe, por alguma deliberação a respeito. Nada, nada. Baco imperou por estes dias. Bebidas... iates... bebidas de novo... 100 mil dólares. Luxo, poder e glamour. A bem da verdade, luxo e glamour nos moldes franciscanos permitidos pela minha conta bancária, claro.
Assim sendo, aproveitei o foda-se mental para assistir algumas sessões do Mix Brasil.

Em Exposed, filmezinho promocional de atores pornô - péssimo - surgiu uma criatura que declarava ter sido convidada para o elenco por ser a única capaz de fazer cenas de auto-felação. É. Durante a entrevista o incauto fazia questão de exibir a neca de monstruosos 25 centímetros.
O editor deste blog pensa que necas gigantes são interessantes. São sim, e muito, mas só de olhar. Definitivamente elas são pouco ergonômicas - nome bonito pra dizer que elas não cabem em lugar algum.

Voltando à vaca fria - pois supostamente este é um blog fino - domingo, vi Cansei de Ser Sexy e I love Miame na galeria Olido.
Ótemos, e com homenagem à querida Charlote.

Nhé. Chega.
Vamos para um lugar cheio de Bicha e Sapatão.

Agora.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Contos da meia-noite

Por simples acaso, dois desconhecidos encontram-se despencando juntos do alto do Edifício Itália, no centro de São Paulo.
E nos últimos segundos que lhes restam conversam sobre o sentido da vida, sobre a metafísica e o amor.

Então já passados do 10o. andar um dos sujeitos diz:
"Nunca se sabe se o que chamamos de amor é desamparo, solidão doentia ou desejo incontrolável de dominação.O que na verdade me seduz é que o amor destroi certezas com a mesma incomparável transparência com que o caos significante enfrenta a insignificância da ordem. Não, o amor não é a soluçao para a vida. Mas é culminância."


Sem mais palavras espatifaram no chão da Av. São Luís.

João Silvério Trevisan
in Dois Corpos que Caem

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Flor Murcha

Se os shows do TIM Festival de ontem fossem um emoticon do MSN, eles seriam, com certeza, a flor murcha.
Por mais que eu já estivesse preparado pra dormir sentadinho durante o show do Arcade Fire - não, eu não estou em clima de virtuosismos em eventos grandes - e abstrair totalmente a M.I.A, ao menos eu esperava ouvir os shows do Kings of Leon e dos Estrouques.

É, ouvir. Por que ficar longe acontece em qualquer show.
O fato é que estava tudo tão baixo que conseguíamos conversar entre nós.
Resumindo, um muxoxo geral.

Mas e os Estrouques?
Gostei, mesmo a meio volume.

* *
Em tempo, aposto minhas fichas no Sonic Youth.
Kim Gordon é mais visceral.

Então...

Na linha do Quem sabe sabe, vota Kassab
Um rápido comentário sobre o resultado deste referendo inútil:

Bosta por bosta, Pedro Geraldo Costa.

sábado, 22 de outubro de 2005

Começou



A 29o. Mostra de Cinema começou e isso me lembra 352 motivos pelos quais eu deveria ter guardado algum dinheiro para o fim do mês - sim, o meu mês sempre acaba antes do dia 20. O mês monetário, claro.
Seja como for farei algum esforço esfincteriano para ir a algumas sessões.

As minhas lombrigas estão atacadas por Por dentro da Garganta Profunda - sim, quero ver a Linda Lovelace, a dona do Clitóris - rever Kika em tela grande, na falta de um Almodovar novinho e talvez se a grana der mais um ou outro a escolher.

We shall see.

Mercadón

Na falta de uma boa padaria fui comprar pão no Compre Bem, quase na hora de fechar, lá pelas dez da noite.
Tem um dentro da Praça Roosevelt.

Enquanto escolhia os pães que mais me agradavam percebi que, tacitamente, vários daqueles homens sozinhos, que ali estavam, por um longo tempo passavam olhando as prateleiras como quem não sabe se leva molho de tomate ou cotonetes.*

É rolar de rir.
Se fosse mais escurinho rolaria pegação.
Certeza.


*crédito ao Muras.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Mi casa su casa

Não é um Guia da Folha (ou da Falha?)
Eis uma listinha em ordem mental, não de preferência, com algumas impressões de coisas para se fazer aqui no centro.

Mercado Municipal: Restaurado, ganhou um simpático mezanino de onde é possível comer (na realidade dividir com alguém) o enooorme sanduíche de mortadela defumada com tomate seco sob a luz generosa que passa pelas claraóibas e pelos vitrais. Ainda não provei o pastel de bacalhau, será o próximo da lista, com certeza.

Centro Cultural Banco do Brasil: Sempre uma boa pedida. No último domingo teve a animada apresentação da Velha Guarda do Peruche - ótimos! - no Intervalos Musicais, um evento que sempre rola na hora do almoço de sexta à domingo. Em tempo vale conferir também a mostra de curtas canadenses e a exposição Erótica. Tudo free.

Sorveteria Soroko: Fica ali na Augusta em frente ao cirquinho. Comandada pelo Sr. Anatolie, parece uma sorveteria self-service comum. Há seis anos, começou a fabricar sorvetes com leite de soja, a pedido de uma cliente vegan que se cansou das opções de frutas e queria provar os sabores cremosos de flocos, chocolate com avelã e morango.
Como deu certo, o cardápio passou a incluir também versões em soja das frutas brasileiras, como sapoti, castanha do pará, umbu fazendo do lugar um ponto de encontro de vegans e HC's simpatizantes.
Delícia.

Charm e BH: Bem depois da Soroko, subindo a Augusta, dipensa apresentações. Gosto de um boteco. Adoro. Se quiserem um companheiro de copo, me chamem.

Praça Roosevelt:Sempre achei que a Praça Roosevelt fosse um lugar perigoso, daqueles que a gente passa correndo segurando a carteira. Nope. Há vida na praça. Nos entornos do antigo Cine Bijou, surgiram várias escolas de teatro e bares simpáticos. Dentro da praça funcionam uma escola de educação infantil, o EMEI Patrícia Galvão, e um supermercado Compre Bem. Aos domingos, do outro lado da praça, na Guimarães Rosa, acontece uma feira-livre que atende a região.

Minhocão: Sempre achei que a cidade de São Paulo poderia ganhar três presentes - 1. a derrubada do prédio do Bradesco que esconde o Copan, 2. a derrubada do muro da Raia Olímpica na Marginal Pinheiros e, finalmente, 3. a derrubada do Minhocão. Curiosamente achei esta outra comunidade defensora da suposta beleza do Elevado Costa e Silva (general, nem o nome ajuda....). Seja como for uma coisa é verdade: aos sábados e domingos quando o elevado fecha para os carros, se transforma num agradável calçadão. No último feriado caminhei por lá. Quando dei por mim estava além da Santa Cecília.

Galeria da 24 de Maio: O paraíso dos Mad Rats que tanto adoro. Saindo de lá, uma boa pedida é o Yakissoba dos coreanos do final da 24 de Maio. Deliciosa porçãozona por módicos 3 reais.

Cafés: Adoro café, em todas as suas modalidades. Recomendo o do Café Girondino, na São Bento, o do charmoso Páteo do Colégio e claro, o do Floresta que fica no térreo daqui do prédio. Sem dúvidas o mais encorpado de todos. Huuum.

Caso não esteja por aqui, sem problemas: plagiando a Praça do Relógio, nesta cidade, enquanto universo da cultura, o centro está em toda parte.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

30 dias

Completo hoje 30 dias de Copan.

O saldo real que posso comentar - e sou capaz de perceber com alguma clareza - é a sensação da saída do casulo familiar.
Sensação ótima.
É como a da libertação de completar os 18 anos, só que desta vez de verdade.
Pra valer.
Genuína.

Não, não sinto saudades.
Minto: sinto saudades dos meus gatos.
Não exatamente da minha família porque percebo, agora mais claramente, que se trata daquelas que funcionam melhor quando as partes estão longe uma das outras.

Abaixo os almoços familiares.
Abaixo as justificativas.
Abaixo as intromissões bem intencionadas.

A minha escova de dentes que está sozinha - e muito bem assim - tem preguiça disto tudo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Ainda em tempo, estou pra ver coisa mais sem propósitos e, no mínimo, anacrônica que o Festival Cultura.
As poucas apresentações que assisti me deram a nítidia sensação de algo pasteurizado - quer fazer mpb contemporânea meu bem? Eis a receita:
Coloque a sua sandália (ou bolsinha de crochê caso você seja menina) e aposte na mistura de ritmos brasileiros.
Isso. Muita mistura com ranço de Vila Madalena no melhor estilo de Rípi que deu certo na vida.

E teve vaia na final.
Embora ache que a dupla Luis Tatit e Dante Ozetti peca pelo intelectualismo pretensioso semi-ripóide, sim, eu concordo com as vaias: eles mereciam o primeiro lugar e não a medalha de prata.
Até mesmo porque Contabilidade, a grande ganhadora, é simplesmente um vômito.

Algo a declarar?

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Dizem que pareço meu pai

Por esses dias estive lendo 5 Lições.
O que mais chama atenção, ao menos naquela fase pré-psicanalítica do Freud, é a clareza do texto - não há elocubrações mirabolantes: a complicação está em quem escreve sobre Freud, não nele próprio.

Mas indo ao que realmente interessa - a vidinha infantil às voltas com a imagem dos nossos pais - lembro-me difusamente da imagem de meu pai. É verdade que o difuso propositalmente é, antes de tudo, uma grande autoproteção.
Naquela imagem difusa, construída antes dele de sair de casa quando eu tinha 3 anos, surgia um homem fraco, embriagado, dominado - e assim, o vejo até hoje, ainda que eu tente encontrar ali algo de positivo.

Mas não, este não é um post lacrimogêneo nem tampouco auto-indulgente ou qualquer outra coisa parecida. Nosso relacionamento hoje é cordial, distante e sem grandes emoções aparentes, talvez algo como apreciar fotos p&b de cafés parisiences.

* *
Achei outro dia uma New School no tattoland que gostaria de fazer. Algo como a da foto mas fechando do ombro ao cotovelo e na cor azul.



É verdade que a minha ligação com tattoos, alargadores e whatever tem muito da contribuição do existir para O Outro (*) e de uma forte componente de ajuste de contas com um passado nerd - sim, eu preciso acertar as contas com aquela adolescência larval - mas eu preciso admitir, também, ao menos uma vez, que é uma tentativa de me livrar do corpo do meu pai.
Então recaio sobre o título deste post: Dizem que pareço ele. Eu, intimamente, também acho.
Tattoos ou outras modificações quaisquer dão contornos próprios ao meu corpo na medida que me diferenciam do meu pai.

Só não sei o que é mais doloroso, perceber que a embalagem pode ser moderadamente modificada, o conteúdo nem tanto ou perceber que sempre estive equivocado a respeito dele.

Aposto na segunda hipótese.
__
* Lacan, quando ele fala do Grande Outro.

sábado, 24 de setembro de 2005

Na praça Roosevelt de madrugada a tia de cinta-liga perguntou:

- É biu ou é homem, hein?
- Biuuu.
- Linda, smuack!

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

A bossa e o envelope

Recentemente duas pessoas que não se conheciam declararam que acreditavam ser uma qualidade minha o equilíbrio.
Gentilezas a parte, me segurei para não rir.
É verdade que eu tenho me empenhado bastante para que a minha vidinha ganhe os tons da Astrud.

Conta Barus-Michel que via de regra não conhecemos o outro, mas sim uma uma imago - uma espécie de imagem-envelope que nos envolve e é construída continuamente ao longo da vida e que é modificada na medida que somos submetidos a avaliação dos pares.
A grande sacada é que como mudamos o tempo todo, seja de trabalho, de casa, de círculo de amigos e, até mesmo, de ideais, este envelope é mutante.
É. Eu diria que se me têm como uma pessoa equilibrada, é porque assim me vêem e assim ajudaram construir resultando numa mutação improvável.

Digo improvável porque este envelope-bossa que me reveste esconde um hard techno.
Sou combativo, vermelho e ligeiramente gouche.
Diria ainda inquieto, alcóolotra potencial, devasso e esquerdo.

Mas ninguém precisa saber (muito) sobre isto, porque o que importa mesmo não é ser, mas parecer equilibrado.

O que importa é como você vê o envelope que me reveste e que reflete coisas sobre o que você mesmo é.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Ultimamente estou revendo os critérios do que considero um bom marido.
Além de usar barba, ser mais alto do que eu, ser judeu (ou aparentado) e ter cabelo castanho escuro ou preto (sim, prefiro os inteligentes) - o moço também deve dominar as práticas caseiras de culinária e arrumação.
É.
Ontem a máquina de lavar inundou a kit. Ai, socorro.
Além disso, não consigo trocar lâmpadas subindo nem mesmo em cadeiras - daí os mais altos, compreende? - e, finalmente, não tenho a mínima idéia de como passar roupas.

Diga-se de passagem, passar roupas é uma tarefa extremamente complicada. Usa, no mínimo, umas 5 das .7 inteligências.
Certeza.

Depois dizem que o difícil é entender o Mol.
tsc.

Concordo com vc, dear.
Também me sinto sujo usando uma lanhouse.

Autocompletar devasso.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Acho que foi Drummond, não lembro, que disse que amar é mudar de casa a própria alma.
Tranquilamente digo que os acontecimentos dos últimos dias têm me levado a conjugar o verbo amar como um verbo intransitivo, como o do Mário de Andrade, num sentido absoluto onde as gradações
não têm vez - gosta-se ou não.

Não só a alma está de casa nova - o meu corpinho físico desde sábado passado habita o Edifício Copan.

Eu diria que a diferença básica entre o bairro e o centro é o ato de sair na rua: morando no centro, basta pôr os pés para fora do ap. Já é um evento.
No Copan o evento vai desde o encontro diário com os moradores-personagens durante a descida dos 29 andares até a passadinha pelos cafés da galeria no piso térreo.
Da vista da cúpula da Catedral da Sé aos barulinhos estranhos do edifício.
O evento está em toda a parte.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Kuenda, saiu o meu novo CEP.
Luzes. Luzes.

* *
No momento apenas duas certezas:
amanhã pego as chaves e esta noite eu não durmo.
A Sandra Sá teve, um dia, alguns momentos de rádios number one na década de 80 com o seu Joga fora no Lixo, lembram disso?
Quem ainda fala desta cidadã depois que aquele "de" foi metido no meio do nome?

Agora, ícone máximo da numerologia mal sucedia, mesmo, foi o Zé Pretinho. Jorge Ben fez coisas legais nesta vida. Sim, sim. Já Jorge Benjor, no máximo, o que conseguiu foi chamar o síndico.

É. Eu processaria a macaca que fez isso. Nem tanto pela Sandra, mas pelo Jorge. Certeza.

jorge ben - 1969 - barbarella

Post dedicado a baiana que só fala que vai subir a serra do mar.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

O incrível dito movimento estudantil após viver anos a fio parado no que foi o reacionário de 1968, conseguiu, num milagre estupendo, evoluir a 1984: só se fala de diretas para reitor.

É rolar de rir. Quem sabe um dia a gente chega a 2005, não é?
**
Ah sim, as universidades públicas pararam de novo.

domingo, 28 de agosto de 2005

Neste último sábado encaixotei tudo.

Incrível mesmo foi perceber, enquanto revirava o maleiro do meu guarda-roupa numa verdadeira expedição arqueológica, o peso físico e literal da memória, sobretudo o da memória escolar.

Estavam embalsamados ali todos os cadernos, desde os do prezinho aos da pós-graduação, numa antologia reveladora de uma existência nerd.
Nerdíssima, mesmo porque até os meus 20 anos eu era dono de uma auto-estima lixenta: o mundo, sobretudo na forma das aulas de educação física, era ameaçador demais. A interação com as pessoas nem se fala.

A grande solução, então, era me dedicar compulsivamente aos estudos construindo um mundinho próprio onde eu era capaz de ser bem sucedido - em alguma coisa eu precisava ser bom, não?
Neste mundinho moravam apenas eu, meus livros e meus brinquedos que experimentavam as emoções por mim.
* *
Não tive coragem de botar fora tudo. Não, não.
Mas digo que que o mocinho que recolhe papéis aqui no bairro terá uma boa surpresa com os cadernos esgarranchados da Tia Simone e com os xérox das transparências de bioquímica industrial. Já é o dinheirinho para o final do ano, com certeza.

Como saldo da faxina, posso dizer que a minha vida coube em 4 caixas.
Uma de cd's e fitas vhs, outra de livros, mais uma de apostilas da faculdade e miudezas e, finalmente, a de roupas.
São estas 4 caixas, minha cama, meu micro e meu aparelho de som que me acompanharão na mudança.

Ah, sim. E as minhas memórias também.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Dei uma passadinha no Carrefour neste último domingo a procura de uma máquina de lavar que estivesse por um precinho módico (lenda) e, principalmente, que coubesse em algum canto da minha futura-pretensa kitnete.

Tudo o que posso comentar sobre o assunto se resume nos seguintes ítens, a saber:

1 - incrível a semelhança das máquinas de lavar mais modernas, em especial aquelas mais completinhas, as que não só lavam mas também batem a roupa, centrifugam, passam um cafezinho e trocam o pneu do carro, com os objetos de cena do Star Trek. Tudo muito cafona. Cafoníssimo. Uma casa lotada de eletrodométicos deste naipe seria um bom exemplo de um superlativo da realidade.

2 - De fato eu não sabia a diferença entre um tanquinho e uma máquina de lavar. Tanquinhos têm vocação para enroscar a roupa naquela rodinha, transformando camisetas em tomara-que-caia. Já as máquinas de lavar, adoram andar pela casa. Acredito que no segundo caso uma boa coleira resolva.

3 - Passando ao ítem móveis, fiquei em dúvidas se levaria a tábua de passar Amélia, ou a Ana Júlia, que era mais a chique. Por outro lado, a Amélia caberia direitinho dentro do conjuto horroroso de amários conjugados Danielly. Será o destino dos móveis levarem nomes de donas-de-casa?

4 - No centro de São Paulo não há lojinhas de 1,99 nem de desinfetantes genéricos baratinhos que tanto adoro.
Se quiser me deixar contente me dê uma garrafa pet com um desses, tenho preferência pelos de cor berrante. Só não vale eucalipto e pinho. Estes têm cheiro de banheiro público.

sábado, 20 de agosto de 2005

Conta a astrologia, que alguns ciclos de nossas vidas são governados pelo trânsito de saturno que, em miúdos, significa o retorno do 6o. planeta de nosso sistema solar ao ponto em que estava no momento em que nascemos.

Aos 7 anos, momento da primeira quadratura, ocorre a mudança da dentição, aos 14, na primeira oposição, vem a adolescência que, por definição, nunca é igual à dos estudantes da Tilibra: tudo se torna perigosamente sexualizado, não entendemos o código do mundo dos adultos e, ainda, acordamos com um corpo que não era nosso.
Já na segunda quadratura, por volta dos 21, somos tacitamente obrigados a entrar de cabeça no universo dos adultos. Não dá mais pra voltar mas, ao mesmo tempo, fica tão complicado ir para frente...

Finalmente aos 28, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas que antes eram parte de uma gama de opções se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência.

E segundo esta moça,
"Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. É o ponto final do caminho de relaxamento de responsabilidades dos pais sobre os filhos."

* * *

Por essas e outras, é que acredito em astrologia.
Sim, sim.
Em tempo, o Copan me espera.
É só o administrador-obstáculo aceitar a minha papelada.

E que venha saturno.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Galinha caipira com pau preto e cogumelos dourados é uma iguaria servida em um dos restaurantes da Liberdade, restaurante que, diga-se de passagem, nos deixou em dúvida quanto a origem.
Japonesa, coreana ou chinesa - qual deles comeria pau preto?

O fato é que o pau preto estava lá, mas o diacho dos cogumelos não.

Na verdade o que o cardápio não dizia é que veríamos os cogumelos dourados depois de nos servir do pau preto.

Ainda estamos a falar de culinária?

domingo, 7 de agosto de 2005

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Bem que a Fê Fig avisou: procurar apartamento é trabalho de formiguinha e, em nota mental, corretores deveriam ser exilados no inferno.

Hoje vi uma kit na Major Quedinho, pertinho das bocadas da av. 9 de Julho, a primeira da enorme lista que chupinhei do Primeira Mão em ordem de preço.
Kit horrorosa.
Com o azuleijo do banheiro descascando a tinta que alguma alma imbecil um dia pensou que seria uma boa idéia passar.

Só com muito desapego mesmo.
E o corretor disse ao telefone: Aguardo o seu retorno ainda hoje.

Vai esperando filho.

domingo, 31 de julho de 2005

Momentos de histeria:

O relacionamento humano é um evento.
Por isso sou a favor de pessoas infláveis.
Pessoas adultas, pessoas-namorados e crianças, sobretudo as birrentas ensandecidas.

Seria ótimo. Sim, sim.
E ainda viria com a seguinte instrução:
Caso você precise de afeto, é só assoprar a válvula.
Após o uso, murche e guarde.


Seríamos mais felizes e plastificados.
* *
Claro, no atual nível de foda-se alcançado o editor deste blog elegeu como a comunidade semana, esta daqui
Tem pessoas que têm como meta de felicidade uma casinha no campo pra plantar com a mão a pimenta e sal. Hoje eu diria que a minha meta de vida do momento seria algo bem menos ambicioso (será menos mesmo?): o de reorganizar a minha vidinha e tocá-la com alguma tranquilidade.

Finalmente, após muitas brigas contra o engessadíssimo sistema uspiano e contra um elenco de vaidades maculadas, a minha matrícula no doutorado foi efetuada com sucesso e a bolsa pelo CNPq aprovada.

Agora a ansiedade me consome: são 22 dias pra ganhar o mundo.

Luzes, bingo, salve salve, três pulinhos.

domingo, 24 de julho de 2005

sábado, 23 de julho de 2005

Conheço a Luciana Cristina há 10 anos, desde os tempos em que comíamos bolacha de brigadeiro nas aulas do cursinho. Faz tempo né, fia?
Nem ela tinha aquelas malditas linhas de expressão que outro dia reclamava por telefone e nem eu alguns cabelos brancos fugitivos que despontam aqui ou ali...

Fora isto, num rápido balanço de 10 anos, a constação é que as nossas questões basicamente sempre foram as mesmas: desempregados qualificados, fodidos de grana, sempre cheios das bizarrices da vida em família e amadores na matemática dos relacionamentos.

Mas isto não quer dizer que no auto dos nossos quase 28, nada tenha mudado. Muito pelo contrário.

Nosso mundinho (ou espaço psíquico) é ampliado em espiral: sempre com as mesmas questões, mas com um ponto a mais.
Compreende?

É nessas horas que adoro a psicanálise e amo os meus 27 anos e 8 meses.
De resto, nada que o Mastercard não resolva.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

domingo, 17 de julho de 2005

Morangos mofados ou Coito interrompido.

Estes poderiam ser os títulos deste post. (mas não Os 5 estágios da dor da morte. Não, ainda.)

Cecília tinha pressa. Ocupada em sua mesa confusa de trabalho lotada de papéis, sempre minutos antes do almoço, fazia questão de baixar rapidamente seus e-mails. - Saco de outlook que dá erro - pensava em voz alta enquanto clicava incessantemente como se uma foca histérica apertasse o botão de um elevador velho.
Mensagens de erro, após, apagava rapidamente os spams e toda sorte de lixo eletrônico que brotava às pencas na caixa de entrada. Não havia tempo a perder com aquilo, afinal, era mandatório em sua agenda ligar para o João Antonio em seguida ao almoço ralo.

Talvez nem estivessem tão apaixonados mas, certamente, ele ocupava algum lugar em sua vida. Um lugar difuso, é verdade, que ela gostava de intitular como namoro, afinal, tinha muita pressa: já passara da idade de indefinições. - Coisas lentas em minha vida? Basta aquela porcaria de computador velho. Era a nota mental diária.

Semana após outra, ao fim de cada encontro, vigoroso como rosas de plástico, sem elaborar muito - não havia tempo (ou disposição?) para isso, não, não - ficava cada vez mais bêbada daquele lugar que João Antonio tacitamente ocupara em sua vida: o namorado, orgulhava-se.

Um dia João Antonio, cada vez mais alheio à posição que lhe era conferida, rompeu. Rompeu educadamente. Alegou aquele script default que todas pessoas educadas falam em tom grave quando não se sentem felizes, ou quando não se sentem completas, ou quando só querem putaria, ou... ou... enfim, tantas possibilidades quanto as que caberiam a palavra genérico.

Não era a primeira vez que Cecília ouvia aquilo. De repente o som daquelas justificativas se esvaiam em uma ausência mental. Ligeiramente atordoada só pensava - Burra, burra.. Pensava também sobre quem iria ocupar aquele lugar, (por mais que a sua analista já tivesse tentado de uma vez por todas fazê-la entender que pessoas não ocupam lugares).

A história não tem fim.
Se preferir, pense que João Antonio e Cecilia se despediram com um abraço murcho, que foram cada um para o seu lado e que tiveram uma boa vida.
Ou pense o que quiser. O fim é o que menos importa.






Tenho inveja das pessoas polidas. Polido, aqui, defino como aquelas que aparentam grande serenidade diante de qualquer situação e que são capazes, também, de almoçar tomando água. Pessoas polidas.
O causo é que, longe de ser polido, meu sangue ferve facilmente em situações onde a diplomacia deveria ser mandatória: em negociações com os chefes ou com a mãe.
Pior ainda quando a figura de chefe e de mãe estão psicanaliticamente misturadas. Não, a minha mãe não é a minha chefe, mas a minha chefe seria candidata a uma. Inúmeras vezes brigou por mim e tantas outras me salvou de várias frias, incluindo as financeiras, só pra citar alguns dos agrados recebidos nestes 9 anos de convivência.
Porém, o que faz a minha consciência entrar em tela azul é até que ponto pode, uma pessoa que tanto ajudou, planejar coisas por você em uma suposta retribuição.
Ela quer que eu faça X,Y e Z, mas eu sei que X,Y e Z são incompátiveis com outros compromissos assumidos. Quando tento explicar que X,Y e Z, não têm como serem feitos do modo que ela pensava, recebo uma justificativa poliana: -Ah. Mas você tem 4 anos pela frente... (outro engano).

Nas relações polidas há uma zona cinzenta de negociação da moral que estou a anos-luz de chegar.
Tacanho que sou, nestas situações, tendo ao rompimento, ao brusco, ao combate, a verdade sem simpatia.*
verdade e simpatia são antônimos no meu dicionário.


Um grande problema em tempos que o meu foda-se está ligado no máximo.




sábado, 16 de julho de 2005

azedei


Saindo da Lôca outro dia, o mocinho do caixa avisou:
- Operação não autorizada, Gori.
Sorri amarelo e então pedi a ele que tentasse no débito em conta.
- Não autorizado também...

É. Mais uma vez o mês monetário acabou muito antes do que eu imaginava. Agora, pior do que isso, foi acabar antes do show do Ladytron no Vegas que rola no final deste mês.

E eu que até pensava num financiamento de um cafofo pela caixa econômica federal... rá... Já antevejo a expressão compadecida do avalista ao ver a situação do meu extrato bancário:
- Sujeito de crédito, Gori? Não.
- Você é sujeito de ação social.


* Ou de um milagre. (nota mental)
Alcoholic, Desire!
Alcoholic, Desire!

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Sobre o quebra-quebra armado na Av Paulista, um tocedor justificava no Jornal Hoje:
- É porque os cara disseram que ia ter o negócio lá e não teve.
*negócio = telão


Não chuchu. É falta de punheta mesmo.
weezer

Os integrantes do grupo norte-americano Weezer, que toca no Brasil pela primeira vez em 24 de setembro, no Curitiba Rock Festival
Lúcio Ribeiro para a Folha


Então o Weezer vem pro Curitiba Rock Festival deste ano. Dizem por aí que é meio carne de vaca (e é mesmo) mas eu adoro. Realmente eu achava que só veria o Rivers Cuomo quando ele estivesse meio velho, careca com mullets a exemplo do batera do pixies, no ano passado, mas não. Agora pra minha vida ficar um pouco mais completa só faltam Le Tigre, Nancy Sinatra e um revival do My Blood Valentine.
Dedos cruzados.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

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Nem Avenida Paulista, obelisco ou Maria Cristina Poli - Valentina Caran é *a* verdadeira cara de São Paulo, com sua famosa cutis estampada em numerosos empreendimentos imobiliários espalhados pela cidade. Um sucesso reconhecido:

"Valentina é um estado de espírito, batom "volúpia #69" da Impala, tailleur de US$5,00 e uma vontade imensa de vencer na vida. É essa a formula do sucesso!"
Felipe H.

"Ela é realmente absurda. Ninguém fotografa tão bem, com esse tom de batom, como nossa musa. Seu nome já o diz: Valentina Carão."
Luiz P.


Free Valentina Caran, agora no orkut mais próximo de você.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Basicamente dois comportamentos padrão me aborrecem: aquele das pessoas polianas que acreditam viver sob um cromakey de flores e o das pessoas que fazem questão de varrer a realidade p/ debaixo do tapete.
Comportamentos típicos das mães, diga-se de passagem.

- Sim, mamãe, entenda de uma vez por todas: aquele que saiu daqui de casa às 9 da manhã, não é o meu amiguinho da faculdade, hã? Se você ainda tem problemas com isto, pois que procure um analista.

sábado, 2 de julho de 2005

Tenho paixão pelo pitoresco.
Talvez por isso a minha meta-de-vida-da-semana seja morar no centro, de preferência no Copan, o famoso prédio ondulado de 32 andares que abriga de travecos a velinhas.
Há meses mantenho o plano de mudar da ilha de burguesia-menor-wannabe - mais conhecida como zona norte - onde moro, pra me aventurar pelas bandas da margem oposta do Rio Tietê. Pois chegou a hora [a bem da verdade, já passou da] de me aventurar por este mundão pitoresco com o qual me identifico, um mundão ligeiramente desgastado, com rastros de lantejoulas caídas de roupas baratas e cheiro de laquê genérico mas que, ao mesmo tempo, é verdadeiro e rico.
***
Aos que souberem de boas kits no Copan, ou em algum bom edifício antigo com grandes janelas ensolaradas do Campos Elísios, me avisem, please.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

9 Canções



A estudante norte-americana Lisa conheceu Matt, um inglês um pouco mais velho, num show de rock na Inglaterra. Figuras comuns e não necessariamente atraentes, os dois vivem uma tórrida relação e se encontram para ouvir música, terminando a noite na cama. Os dias seguem sempre da mesma maneira até que chega a hora em que a garota deve voltar a seu país natal. Ele, então, relembra as vezes em que se encontraram em dias de solidão numa expedição pela Antártida.

O título do filme, 9 Canções, refere-se ao número de vezes em que o casal manteve relações. Devido ao grande número de cenas de nudez e sexo, o set de filmagem era mantido com a mínima quantidade de pessoas possível. Os shows mostrados são das bandas Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, The Dandy Warhols, Primal Scream, Super Furry Animals e Franz Ferdinand.


Já quero.
Não é o meu aniversário, nem qualquer outra ocasião especial, mesmo assim decidi atualizar a minha whish list pessoal. Eis, em ordem mental, não de preferência.

01. Um filtro de água, não precisa ser o Europa. Pode ser aqueles de barro e vela que fica verde.
02. Uma geladeira ou frigobar, na cor branca.
03. Um fogão ou fogareiro de duas bocas, branco pra combinar com a geladeira ou frigobar que você vai comprar.
04. Jogo de talheres bem bacanas.
05. Jogo de pratos bacaninhas com cara de vila Madalena.
06. Me livrar de contas antigas.
07. Um pino contendo 100 CD-Rs de boa qualidade prontos para serem gravados.
08. Uma garrafa de quentão. Junho está acabando e ainda não tomei um gole sequer.
09. Uma armação de óculos novo. As minhas já deram no saco.
10. Ida ao cinema. Você me pega em casa e me traz de volta, com direito ao lanche e compra de pequenas bugiganguinhas de rua.
11. Um pote de creme de avelã.
12. Sorvete de milho em quantidade.
13. Uma sessão de limpeza de pele.
14. Corte de cabelo num salão que fica em Pinheiros. De tanto eu mesmo cortar o meu cabelo já está ficando ridículo.
15. Um jantar no América
16. Uma tarde de guloseimas na Padaria Letícia.
17. Viagem à Israel com tudo pago.
18. Dicas de boas Kits na região central de São Paulo. Tenho preferência por andares altos.
19. Implante de cabelo.
20. Curso de baixo.
21. Curso completo de francês.
22. Curso de flauta transversal.
23. Fazer a minha prova de Química Geral da próxima segunda-feira e. claro, se sair bem nela.
24. Pote de jujubas.

Por hora é só.

quarta-feira, 22 de junho de 2005

Já que dizem que os nossos japoneses são melhores do que os dos outros, bem que poderiam inventar medidas-do-Bonfim que arrebentassem em 3 dias.

Se eu sabotar a minha, os pedidos continuam valendo?

terça-feira, 21 de junho de 2005

Hoje recebi uma visita.
Uma pessoa muito querida que, no alto dos seus quase 80 anos, decidiu inesperadamente nos visitar. Friso do editor deste blog ao advérbio.

Dona de uma inocência que só as crianças muito jovens, os muito velhos, e os polianas-convictos têm, não hesitou em disparar perguntas de sutileza tsunâmica.

- OOOh, como você tá grande fi-i-inho, [me abrançando].
- Você não casou?? Quando você vai casar, meu fio?

O resto da família sorri quadrado:
- Esse aí é ajuizado... não dá dor de cabeça. (risos podres de amarelos)

*
Diria a psicanálise que todo grupo tem os seus bolsões de silêncio - aqueles assuntinhos proibidos, que simplesmente não podem ser conversados poque o grupo não está preparado para enfrentá-lo.

Nessas horas é que dou um hip-hip-urra para a psicanálise.
*
No Estado do último domingo, José Arthur Gianotti, o homem das éticas duvidosas, ao se referir à bandalheira política das últimas semanas, dizia que a administração dos recursos cruza a zona cinzenta da amoralidade.

É verdade.
E as relações familiares também.

sábado, 18 de junho de 2005



Efeméride: 18 de junho é dia do químico.
Há 10 anos eu marcava o fatídico xizinho no manual da fuvest responsável pela minha cruz e delícia.

As possíveis comemorações são:

a) Etanol sob as mais variadas formas
b) Diversões sintéticas
c) Injeções cavalares de serotonina
d) Tomar cicuta e morrer feliz

sexta-feira, 17 de junho de 2005

O assunto de 9 entre 10 geeks é a adoção da arquitetura intel pela Apple.
A direção da Apple no entanto parece firme ao dizer que o sistema da maçã só rodará em macintoshs munidos do processador da intel - os macintels
"Não permitiremos rodar o Mac OS X em qualquer computador que não seja um Macintosh"
Phil Schiller, vice-presidente da Apple.


Não dou 1 ano para que o Mac OS X esteja em qualquer PC-de-Carrefour mais próximo de você. Aposta feita.
*
Macintochers, tanto empenho nerd pra isso, rá.

quinta-feira, 16 de junho de 2005

quarta-feira, 15 de junho de 2005



Astrud Gilberto - photograph

Eu, você, nós dois aqui nesse terraço a beira-mar...

terça-feira, 14 de junho de 2005

Reclamar do pagamento mixo há tempos não é novidade. Me recuso a repetir o causo. A novidade mesmo fica por conta da subcategoria recém-sentida-na-pele - trabalho escriba com pagamento mixo. Fracamente, o trabalho - e toda sorte tarefas adjacentes não-remuneradas - tem dado cria exponencialmente. O máximo que posso declarar, após esta segunda-feira braba, de caminhadas intermináveis sobre o chão de epóxi verde borrado por acetato de etila do instituto de química, é a minha vontade ao chegar em casa: por os pés numa salmoura morna, como fazia a minha bisavó. Bem coisa de gente antiga, sabe?
*
Falando em gente antiga, estava pichado no box do banheiro: Por um movimento estudantil de direita!
Tenho me assustado com o conservadorismo dos alunos ingressantes na universidade deste ano. Todos padronizadamente sérios além da conta. Será esse o target dos próximos anos?
*
Voltando à salmoura, na falta, serve a www.luxuriamusic.com, repleta de easylistening, downtempo e um monte de coisinhas antigas-like.
Minha querida, obrigado por ter me introduzido - sem piadas aqui, hum?

domingo, 12 de junho de 2005

limpo



Céu limpo, com sol de dia frio.
Sem nuvens em minha alma.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

A boa pedida de hoje é a lounge-radio.com.
Suíça que toca alguma bossa eletrônica e correlatos.

Tudo, bem redondinho,
bem na medida.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Há um certo estágio, típico da criança ainda muito pequena, onde ela só é capaz de enxergar as pessoas como boas ou ruins. Sem meio termos. Ora fada, ora bruxa.
Só depois é que elas compreenderão que pessoas podem ser ruins e boas ao mesmo tempo.

Esta última semana o suficiente pra me mostrar o quanto eu parei naquele primeiro estágio.

segunda-feira, 30 de maio de 2005


Tipassim, até que demorou pra deus estender os seus domínios.
Nós, teleguiados do orkut, agora podemos também escancarar nossos desejos consumistas.

No momento estou com lombrigas por causa deste:


Post dedicado à Luciana Cristina que compartilha da mesma realidade. Ho.
Homens definitivamente têm TPM.
Hoje quero matar um.

sábado, 28 de maio de 2005


Nem Av. Paulista, nem Obelisco.
Os anônimos da Estação Sumaré deveriam ser o símbolo de São Paulo.

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Nelson Rodrigues em uma de suas últimas entrevistas:

Fui recentemente a um programa de televisão e me perguntaram se eu tinha alguma coisa a dizer aos jovens brasileiros, ao que respondi: Que deixem de ser infantis! Somente. Nunca a juventude foi tão pouco generosa, tão pouco heróica, tão pouco humana. Espero que um dia a juventude tenha um grande renascer. É necessário. Os jovens da França praticamente tomaram o poder em 1968. Deram as costas a De Gaulle. Mas, uma vez no controle das universidades, eles não fizeram absolutamente nada.
Descobriram que não tinham nada a dizer. Era tudo puro exibicionismo. Afinal, o que tem a dizer um jovem de 17 ou 18 anos? Nada.
São os velhos que detêm a sabedoria e que podem assumir a liderança.
De Gaulle era velho. Mao era velho. Chiang era velho.

quinta-feira, 26 de maio de 2005

Foram necessários 3 anos postando sob a mesma alcunha para que eu sentisse a necessidade de novos ares, algo como experimentar novos sabores de mim mesmo numa ato de dar um passo além. Não concordo que o verdadeiro passo fosse parar de postar, não, não - até mesmo porque quando escrevo me desconstruo e reelaboro os significados da realidade. Assim, acredito que o verdadeiro passo é dado na medida em que novos caminhos são encontrados para que estes significados tomem corpo.
Em um dos últimos posts no finado RT!, eu dizia que toda essa correria bestamente sem sentido da chamada vida pós-moderna, hiper-moderna, fuck-whatever-moderna nos esteriza e, muito bem dito pela moça dos cabelos vermelhos, nos HISteriza.
Por outro lado em algum momento o Lacan dizia que a busca de um sentido só é possível quando encontramos o nosso fio da história.
Quem é você? Qual a sua história? Quem comeu quem antes de você nascer? E por aí vai...
Taí. Quero compreender não só o meu fio da história, mas também o das pessoas invisíveis que passam nas ruas, dos desvalidos, dos pequenos, dos que mandam, dos que simplesmente respiram, na tentativa de dar novos passos e, quem sabe, de encontrar um sentido.
*
Em tempo, São Paulo em feriado de maio é deliciosa.
Vazia com sol fraco e brisa fria.
Sinestesia no ar.
Rendam-se Terráqueos!
*05-05-2002 +24-05-2005. Com afeto, com paixão.