terça-feira, 21 de junho de 2005

Hoje recebi uma visita.
Uma pessoa muito querida que, no alto dos seus quase 80 anos, decidiu inesperadamente nos visitar. Friso do editor deste blog ao advérbio.

Dona de uma inocência que só as crianças muito jovens, os muito velhos, e os polianas-convictos têm, não hesitou em disparar perguntas de sutileza tsunâmica.

- OOOh, como você tá grande fi-i-inho, [me abrançando].
- Você não casou?? Quando você vai casar, meu fio?

O resto da família sorri quadrado:
- Esse aí é ajuizado... não dá dor de cabeça. (risos podres de amarelos)

*
Diria a psicanálise que todo grupo tem os seus bolsões de silêncio - aqueles assuntinhos proibidos, que simplesmente não podem ser conversados poque o grupo não está preparado para enfrentá-lo.

Nessas horas é que dou um hip-hip-urra para a psicanálise.
*
No Estado do último domingo, José Arthur Gianotti, o homem das éticas duvidosas, ao se referir à bandalheira política das últimas semanas, dizia que a administração dos recursos cruza a zona cinzenta da amoralidade.

É verdade.
E as relações familiares também.

2 comentários:

Lia disse...

Mas esse lance dos BOLSÕES DE SILÊNCIO, na minha família tem aos montes. E eu me mordendo pra puxar certos assuntos e fazer certas perguntas que sempre me deixaram curiosa, mas ninguém comenta.

(um desses, pelo menos, foi rompido e bem, ganhei um amigão dentro de casa e está sendo ótimo)

Camie disse...

antes o silêncio do que as frases sussurradas. nao tem nada que me irrite mais.. dizer baixinho faz o que voce nao gostaria de ter que falar melhor? tsc!