domingo, 31 de julho de 2005

Momentos de histeria:

O relacionamento humano é um evento.
Por isso sou a favor de pessoas infláveis.
Pessoas adultas, pessoas-namorados e crianças, sobretudo as birrentas ensandecidas.

Seria ótimo. Sim, sim.
E ainda viria com a seguinte instrução:
Caso você precise de afeto, é só assoprar a válvula.
Após o uso, murche e guarde.


Seríamos mais felizes e plastificados.
* *
Claro, no atual nível de foda-se alcançado o editor deste blog elegeu como a comunidade semana, esta daqui
Tem pessoas que têm como meta de felicidade uma casinha no campo pra plantar com a mão a pimenta e sal. Hoje eu diria que a minha meta de vida do momento seria algo bem menos ambicioso (será menos mesmo?): o de reorganizar a minha vidinha e tocá-la com alguma tranquilidade.

Finalmente, após muitas brigas contra o engessadíssimo sistema uspiano e contra um elenco de vaidades maculadas, a minha matrícula no doutorado foi efetuada com sucesso e a bolsa pelo CNPq aprovada.

Agora a ansiedade me consome: são 22 dias pra ganhar o mundo.

Luzes, bingo, salve salve, três pulinhos.

domingo, 24 de julho de 2005

sábado, 23 de julho de 2005

Conheço a Luciana Cristina há 10 anos, desde os tempos em que comíamos bolacha de brigadeiro nas aulas do cursinho. Faz tempo né, fia?
Nem ela tinha aquelas malditas linhas de expressão que outro dia reclamava por telefone e nem eu alguns cabelos brancos fugitivos que despontam aqui ou ali...

Fora isto, num rápido balanço de 10 anos, a constação é que as nossas questões basicamente sempre foram as mesmas: desempregados qualificados, fodidos de grana, sempre cheios das bizarrices da vida em família e amadores na matemática dos relacionamentos.

Mas isto não quer dizer que no auto dos nossos quase 28, nada tenha mudado. Muito pelo contrário.

Nosso mundinho (ou espaço psíquico) é ampliado em espiral: sempre com as mesmas questões, mas com um ponto a mais.
Compreende?

É nessas horas que adoro a psicanálise e amo os meus 27 anos e 8 meses.
De resto, nada que o Mastercard não resolva.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

domingo, 17 de julho de 2005

Morangos mofados ou Coito interrompido.

Estes poderiam ser os títulos deste post. (mas não Os 5 estágios da dor da morte. Não, ainda.)

Cecília tinha pressa. Ocupada em sua mesa confusa de trabalho lotada de papéis, sempre minutos antes do almoço, fazia questão de baixar rapidamente seus e-mails. - Saco de outlook que dá erro - pensava em voz alta enquanto clicava incessantemente como se uma foca histérica apertasse o botão de um elevador velho.
Mensagens de erro, após, apagava rapidamente os spams e toda sorte de lixo eletrônico que brotava às pencas na caixa de entrada. Não havia tempo a perder com aquilo, afinal, era mandatório em sua agenda ligar para o João Antonio em seguida ao almoço ralo.

Talvez nem estivessem tão apaixonados mas, certamente, ele ocupava algum lugar em sua vida. Um lugar difuso, é verdade, que ela gostava de intitular como namoro, afinal, tinha muita pressa: já passara da idade de indefinições. - Coisas lentas em minha vida? Basta aquela porcaria de computador velho. Era a nota mental diária.

Semana após outra, ao fim de cada encontro, vigoroso como rosas de plástico, sem elaborar muito - não havia tempo (ou disposição?) para isso, não, não - ficava cada vez mais bêbada daquele lugar que João Antonio tacitamente ocupara em sua vida: o namorado, orgulhava-se.

Um dia João Antonio, cada vez mais alheio à posição que lhe era conferida, rompeu. Rompeu educadamente. Alegou aquele script default que todas pessoas educadas falam em tom grave quando não se sentem felizes, ou quando não se sentem completas, ou quando só querem putaria, ou... ou... enfim, tantas possibilidades quanto as que caberiam a palavra genérico.

Não era a primeira vez que Cecília ouvia aquilo. De repente o som daquelas justificativas se esvaiam em uma ausência mental. Ligeiramente atordoada só pensava - Burra, burra.. Pensava também sobre quem iria ocupar aquele lugar, (por mais que a sua analista já tivesse tentado de uma vez por todas fazê-la entender que pessoas não ocupam lugares).

A história não tem fim.
Se preferir, pense que João Antonio e Cecilia se despediram com um abraço murcho, que foram cada um para o seu lado e que tiveram uma boa vida.
Ou pense o que quiser. O fim é o que menos importa.






Tenho inveja das pessoas polidas. Polido, aqui, defino como aquelas que aparentam grande serenidade diante de qualquer situação e que são capazes, também, de almoçar tomando água. Pessoas polidas.
O causo é que, longe de ser polido, meu sangue ferve facilmente em situações onde a diplomacia deveria ser mandatória: em negociações com os chefes ou com a mãe.
Pior ainda quando a figura de chefe e de mãe estão psicanaliticamente misturadas. Não, a minha mãe não é a minha chefe, mas a minha chefe seria candidata a uma. Inúmeras vezes brigou por mim e tantas outras me salvou de várias frias, incluindo as financeiras, só pra citar alguns dos agrados recebidos nestes 9 anos de convivência.
Porém, o que faz a minha consciência entrar em tela azul é até que ponto pode, uma pessoa que tanto ajudou, planejar coisas por você em uma suposta retribuição.
Ela quer que eu faça X,Y e Z, mas eu sei que X,Y e Z são incompátiveis com outros compromissos assumidos. Quando tento explicar que X,Y e Z, não têm como serem feitos do modo que ela pensava, recebo uma justificativa poliana: -Ah. Mas você tem 4 anos pela frente... (outro engano).

Nas relações polidas há uma zona cinzenta de negociação da moral que estou a anos-luz de chegar.
Tacanho que sou, nestas situações, tendo ao rompimento, ao brusco, ao combate, a verdade sem simpatia.*
verdade e simpatia são antônimos no meu dicionário.


Um grande problema em tempos que o meu foda-se está ligado no máximo.




sábado, 16 de julho de 2005

azedei


Saindo da Lôca outro dia, o mocinho do caixa avisou:
- Operação não autorizada, Gori.
Sorri amarelo e então pedi a ele que tentasse no débito em conta.
- Não autorizado também...

É. Mais uma vez o mês monetário acabou muito antes do que eu imaginava. Agora, pior do que isso, foi acabar antes do show do Ladytron no Vegas que rola no final deste mês.

E eu que até pensava num financiamento de um cafofo pela caixa econômica federal... rá... Já antevejo a expressão compadecida do avalista ao ver a situação do meu extrato bancário:
- Sujeito de crédito, Gori? Não.
- Você é sujeito de ação social.


* Ou de um milagre. (nota mental)
Alcoholic, Desire!
Alcoholic, Desire!

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Sobre o quebra-quebra armado na Av Paulista, um tocedor justificava no Jornal Hoje:
- É porque os cara disseram que ia ter o negócio lá e não teve.
*negócio = telão


Não chuchu. É falta de punheta mesmo.
weezer

Os integrantes do grupo norte-americano Weezer, que toca no Brasil pela primeira vez em 24 de setembro, no Curitiba Rock Festival
Lúcio Ribeiro para a Folha


Então o Weezer vem pro Curitiba Rock Festival deste ano. Dizem por aí que é meio carne de vaca (e é mesmo) mas eu adoro. Realmente eu achava que só veria o Rivers Cuomo quando ele estivesse meio velho, careca com mullets a exemplo do batera do pixies, no ano passado, mas não. Agora pra minha vida ficar um pouco mais completa só faltam Le Tigre, Nancy Sinatra e um revival do My Blood Valentine.
Dedos cruzados.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

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Nem Avenida Paulista, obelisco ou Maria Cristina Poli - Valentina Caran é *a* verdadeira cara de São Paulo, com sua famosa cutis estampada em numerosos empreendimentos imobiliários espalhados pela cidade. Um sucesso reconhecido:

"Valentina é um estado de espírito, batom "volúpia #69" da Impala, tailleur de US$5,00 e uma vontade imensa de vencer na vida. É essa a formula do sucesso!"
Felipe H.

"Ela é realmente absurda. Ninguém fotografa tão bem, com esse tom de batom, como nossa musa. Seu nome já o diz: Valentina Carão."
Luiz P.


Free Valentina Caran, agora no orkut mais próximo de você.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Basicamente dois comportamentos padrão me aborrecem: aquele das pessoas polianas que acreditam viver sob um cromakey de flores e o das pessoas que fazem questão de varrer a realidade p/ debaixo do tapete.
Comportamentos típicos das mães, diga-se de passagem.

- Sim, mamãe, entenda de uma vez por todas: aquele que saiu daqui de casa às 9 da manhã, não é o meu amiguinho da faculdade, hã? Se você ainda tem problemas com isto, pois que procure um analista.

sábado, 2 de julho de 2005

Tenho paixão pelo pitoresco.
Talvez por isso a minha meta-de-vida-da-semana seja morar no centro, de preferência no Copan, o famoso prédio ondulado de 32 andares que abriga de travecos a velinhas.
Há meses mantenho o plano de mudar da ilha de burguesia-menor-wannabe - mais conhecida como zona norte - onde moro, pra me aventurar pelas bandas da margem oposta do Rio Tietê. Pois chegou a hora [a bem da verdade, já passou da] de me aventurar por este mundão pitoresco com o qual me identifico, um mundão ligeiramente desgastado, com rastros de lantejoulas caídas de roupas baratas e cheiro de laquê genérico mas que, ao mesmo tempo, é verdadeiro e rico.
***
Aos que souberem de boas kits no Copan, ou em algum bom edifício antigo com grandes janelas ensolaradas do Campos Elísios, me avisem, please.