domingo, 17 de julho de 2005

Tenho inveja das pessoas polidas. Polido, aqui, defino como aquelas que aparentam grande serenidade diante de qualquer situação e que são capazes, também, de almoçar tomando água. Pessoas polidas.
O causo é que, longe de ser polido, meu sangue ferve facilmente em situações onde a diplomacia deveria ser mandatória: em negociações com os chefes ou com a mãe.
Pior ainda quando a figura de chefe e de mãe estão psicanaliticamente misturadas. Não, a minha mãe não é a minha chefe, mas a minha chefe seria candidata a uma. Inúmeras vezes brigou por mim e tantas outras me salvou de várias frias, incluindo as financeiras, só pra citar alguns dos agrados recebidos nestes 9 anos de convivência.
Porém, o que faz a minha consciência entrar em tela azul é até que ponto pode, uma pessoa que tanto ajudou, planejar coisas por você em uma suposta retribuição.
Ela quer que eu faça X,Y e Z, mas eu sei que X,Y e Z são incompátiveis com outros compromissos assumidos. Quando tento explicar que X,Y e Z, não têm como serem feitos do modo que ela pensava, recebo uma justificativa poliana: -Ah. Mas você tem 4 anos pela frente... (outro engano).

Nas relações polidas há uma zona cinzenta de negociação da moral que estou a anos-luz de chegar.
Tacanho que sou, nestas situações, tendo ao rompimento, ao brusco, ao combate, a verdade sem simpatia.*
verdade e simpatia são antônimos no meu dicionário.


Um grande problema em tempos que o meu foda-se está ligado no máximo.




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