segunda-feira, 29 de agosto de 2005

O incrível dito movimento estudantil após viver anos a fio parado no que foi o reacionário de 1968, conseguiu, num milagre estupendo, evoluir a 1984: só se fala de diretas para reitor.

É rolar de rir. Quem sabe um dia a gente chega a 2005, não é?
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Ah sim, as universidades públicas pararam de novo.

domingo, 28 de agosto de 2005

Neste último sábado encaixotei tudo.

Incrível mesmo foi perceber, enquanto revirava o maleiro do meu guarda-roupa numa verdadeira expedição arqueológica, o peso físico e literal da memória, sobretudo o da memória escolar.

Estavam embalsamados ali todos os cadernos, desde os do prezinho aos da pós-graduação, numa antologia reveladora de uma existência nerd.
Nerdíssima, mesmo porque até os meus 20 anos eu era dono de uma auto-estima lixenta: o mundo, sobretudo na forma das aulas de educação física, era ameaçador demais. A interação com as pessoas nem se fala.

A grande solução, então, era me dedicar compulsivamente aos estudos construindo um mundinho próprio onde eu era capaz de ser bem sucedido - em alguma coisa eu precisava ser bom, não?
Neste mundinho moravam apenas eu, meus livros e meus brinquedos que experimentavam as emoções por mim.
* *
Não tive coragem de botar fora tudo. Não, não.
Mas digo que que o mocinho que recolhe papéis aqui no bairro terá uma boa surpresa com os cadernos esgarranchados da Tia Simone e com os xérox das transparências de bioquímica industrial. Já é o dinheirinho para o final do ano, com certeza.

Como saldo da faxina, posso dizer que a minha vida coube em 4 caixas.
Uma de cd's e fitas vhs, outra de livros, mais uma de apostilas da faculdade e miudezas e, finalmente, a de roupas.
São estas 4 caixas, minha cama, meu micro e meu aparelho de som que me acompanharão na mudança.

Ah, sim. E as minhas memórias também.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Dei uma passadinha no Carrefour neste último domingo a procura de uma máquina de lavar que estivesse por um precinho módico (lenda) e, principalmente, que coubesse em algum canto da minha futura-pretensa kitnete.

Tudo o que posso comentar sobre o assunto se resume nos seguintes ítens, a saber:

1 - incrível a semelhança das máquinas de lavar mais modernas, em especial aquelas mais completinhas, as que não só lavam mas também batem a roupa, centrifugam, passam um cafezinho e trocam o pneu do carro, com os objetos de cena do Star Trek. Tudo muito cafona. Cafoníssimo. Uma casa lotada de eletrodométicos deste naipe seria um bom exemplo de um superlativo da realidade.

2 - De fato eu não sabia a diferença entre um tanquinho e uma máquina de lavar. Tanquinhos têm vocação para enroscar a roupa naquela rodinha, transformando camisetas em tomara-que-caia. Já as máquinas de lavar, adoram andar pela casa. Acredito que no segundo caso uma boa coleira resolva.

3 - Passando ao ítem móveis, fiquei em dúvidas se levaria a tábua de passar Amélia, ou a Ana Júlia, que era mais a chique. Por outro lado, a Amélia caberia direitinho dentro do conjuto horroroso de amários conjugados Danielly. Será o destino dos móveis levarem nomes de donas-de-casa?

4 - No centro de São Paulo não há lojinhas de 1,99 nem de desinfetantes genéricos baratinhos que tanto adoro.
Se quiser me deixar contente me dê uma garrafa pet com um desses, tenho preferência pelos de cor berrante. Só não vale eucalipto e pinho. Estes têm cheiro de banheiro público.

sábado, 20 de agosto de 2005

Conta a astrologia, que alguns ciclos de nossas vidas são governados pelo trânsito de saturno que, em miúdos, significa o retorno do 6o. planeta de nosso sistema solar ao ponto em que estava no momento em que nascemos.

Aos 7 anos, momento da primeira quadratura, ocorre a mudança da dentição, aos 14, na primeira oposição, vem a adolescência que, por definição, nunca é igual à dos estudantes da Tilibra: tudo se torna perigosamente sexualizado, não entendemos o código do mundo dos adultos e, ainda, acordamos com um corpo que não era nosso.
Já na segunda quadratura, por volta dos 21, somos tacitamente obrigados a entrar de cabeça no universo dos adultos. Não dá mais pra voltar mas, ao mesmo tempo, fica tão complicado ir para frente...

Finalmente aos 28, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas que antes eram parte de uma gama de opções se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência.

E segundo esta moça,
"Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. É o ponto final do caminho de relaxamento de responsabilidades dos pais sobre os filhos."

* * *

Por essas e outras, é que acredito em astrologia.
Sim, sim.
Em tempo, o Copan me espera.
É só o administrador-obstáculo aceitar a minha papelada.

E que venha saturno.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Galinha caipira com pau preto e cogumelos dourados é uma iguaria servida em um dos restaurantes da Liberdade, restaurante que, diga-se de passagem, nos deixou em dúvida quanto a origem.
Japonesa, coreana ou chinesa - qual deles comeria pau preto?

O fato é que o pau preto estava lá, mas o diacho dos cogumelos não.

Na verdade o que o cardápio não dizia é que veríamos os cogumelos dourados depois de nos servir do pau preto.

Ainda estamos a falar de culinária?

domingo, 7 de agosto de 2005

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Bem que a Fê Fig avisou: procurar apartamento é trabalho de formiguinha e, em nota mental, corretores deveriam ser exilados no inferno.

Hoje vi uma kit na Major Quedinho, pertinho das bocadas da av. 9 de Julho, a primeira da enorme lista que chupinhei do Primeira Mão em ordem de preço.
Kit horrorosa.
Com o azuleijo do banheiro descascando a tinta que alguma alma imbecil um dia pensou que seria uma boa idéia passar.

Só com muito desapego mesmo.
E o corretor disse ao telefone: Aguardo o seu retorno ainda hoje.

Vai esperando filho.