quinta-feira, 15 de setembro de 2005

A bossa e o envelope

Recentemente duas pessoas que não se conheciam declararam que acreditavam ser uma qualidade minha o equilíbrio.
Gentilezas a parte, me segurei para não rir.
É verdade que eu tenho me empenhado bastante para que a minha vidinha ganhe os tons da Astrud.

Conta Barus-Michel que via de regra não conhecemos o outro, mas sim uma uma imago - uma espécie de imagem-envelope que nos envolve e é construída continuamente ao longo da vida e que é modificada na medida que somos submetidos a avaliação dos pares.
A grande sacada é que como mudamos o tempo todo, seja de trabalho, de casa, de círculo de amigos e, até mesmo, de ideais, este envelope é mutante.
É. Eu diria que se me têm como uma pessoa equilibrada, é porque assim me vêem e assim ajudaram construir resultando numa mutação improvável.

Digo improvável porque este envelope-bossa que me reveste esconde um hard techno.
Sou combativo, vermelho e ligeiramente gouche.
Diria ainda inquieto, alcóolotra potencial, devasso e esquerdo.

Mas ninguém precisa saber (muito) sobre isto, porque o que importa mesmo não é ser, mas parecer equilibrado.

O que importa é como você vê o envelope que me reveste e que reflete coisas sobre o que você mesmo é.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar"

E essa questão de parecer tem mais a ver com os outros, pq consigo mesmo nao dá pra parecer, tem que SER! Equilibrado, sensato, feliz, saudavel...

Murilo

1.000ton disse...

Outro domingo, num daqueles cafés filosóficos, o psicanlista (Renato Mezan) disse coisa semelhante, que quando vamos pra cama com alguém estamos, no mínimo, em quatro.
Eu, o que eu pareço ser pra vc, vc e o que vc é pra mim. Fora os outros, como "o que eu quero parecer pra vc" etc. É sempre uma suruba entre personas.