terça-feira, 25 de outubro de 2005

Contos da meia-noite

Por simples acaso, dois desconhecidos encontram-se despencando juntos do alto do Edifício Itália, no centro de São Paulo.
E nos últimos segundos que lhes restam conversam sobre o sentido da vida, sobre a metafísica e o amor.

Então já passados do 10o. andar um dos sujeitos diz:
"Nunca se sabe se o que chamamos de amor é desamparo, solidão doentia ou desejo incontrolável de dominação.O que na verdade me seduz é que o amor destroi certezas com a mesma incomparável transparência com que o caos significante enfrenta a insignificância da ordem. Não, o amor não é a soluçao para a vida. Mas é culminância."


Sem mais palavras espatifaram no chão da Av. São Luís.

João Silvério Trevisan
in Dois Corpos que Caem

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Flor Murcha

Se os shows do TIM Festival de ontem fossem um emoticon do MSN, eles seriam, com certeza, a flor murcha.
Por mais que eu já estivesse preparado pra dormir sentadinho durante o show do Arcade Fire - não, eu não estou em clima de virtuosismos em eventos grandes - e abstrair totalmente a M.I.A, ao menos eu esperava ouvir os shows do Kings of Leon e dos Estrouques.

É, ouvir. Por que ficar longe acontece em qualquer show.
O fato é que estava tudo tão baixo que conseguíamos conversar entre nós.
Resumindo, um muxoxo geral.

Mas e os Estrouques?
Gostei, mesmo a meio volume.

* *
Em tempo, aposto minhas fichas no Sonic Youth.
Kim Gordon é mais visceral.

Então...

Na linha do Quem sabe sabe, vota Kassab
Um rápido comentário sobre o resultado deste referendo inútil:

Bosta por bosta, Pedro Geraldo Costa.

sábado, 22 de outubro de 2005

Começou



A 29o. Mostra de Cinema começou e isso me lembra 352 motivos pelos quais eu deveria ter guardado algum dinheiro para o fim do mês - sim, o meu mês sempre acaba antes do dia 20. O mês monetário, claro.
Seja como for farei algum esforço esfincteriano para ir a algumas sessões.

As minhas lombrigas estão atacadas por Por dentro da Garganta Profunda - sim, quero ver a Linda Lovelace, a dona do Clitóris - rever Kika em tela grande, na falta de um Almodovar novinho e talvez se a grana der mais um ou outro a escolher.

We shall see.

Mercadón

Na falta de uma boa padaria fui comprar pão no Compre Bem, quase na hora de fechar, lá pelas dez da noite.
Tem um dentro da Praça Roosevelt.

Enquanto escolhia os pães que mais me agradavam percebi que, tacitamente, vários daqueles homens sozinhos, que ali estavam, por um longo tempo passavam olhando as prateleiras como quem não sabe se leva molho de tomate ou cotonetes.*

É rolar de rir.
Se fosse mais escurinho rolaria pegação.
Certeza.


*crédito ao Muras.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Mi casa su casa

Não é um Guia da Folha (ou da Falha?)
Eis uma listinha em ordem mental, não de preferência, com algumas impressões de coisas para se fazer aqui no centro.

Mercado Municipal: Restaurado, ganhou um simpático mezanino de onde é possível comer (na realidade dividir com alguém) o enooorme sanduíche de mortadela defumada com tomate seco sob a luz generosa que passa pelas claraóibas e pelos vitrais. Ainda não provei o pastel de bacalhau, será o próximo da lista, com certeza.

Centro Cultural Banco do Brasil: Sempre uma boa pedida. No último domingo teve a animada apresentação da Velha Guarda do Peruche - ótimos! - no Intervalos Musicais, um evento que sempre rola na hora do almoço de sexta à domingo. Em tempo vale conferir também a mostra de curtas canadenses e a exposição Erótica. Tudo free.

Sorveteria Soroko: Fica ali na Augusta em frente ao cirquinho. Comandada pelo Sr. Anatolie, parece uma sorveteria self-service comum. Há seis anos, começou a fabricar sorvetes com leite de soja, a pedido de uma cliente vegan que se cansou das opções de frutas e queria provar os sabores cremosos de flocos, chocolate com avelã e morango.
Como deu certo, o cardápio passou a incluir também versões em soja das frutas brasileiras, como sapoti, castanha do pará, umbu fazendo do lugar um ponto de encontro de vegans e HC's simpatizantes.
Delícia.

Charm e BH: Bem depois da Soroko, subindo a Augusta, dipensa apresentações. Gosto de um boteco. Adoro. Se quiserem um companheiro de copo, me chamem.

Praça Roosevelt:Sempre achei que a Praça Roosevelt fosse um lugar perigoso, daqueles que a gente passa correndo segurando a carteira. Nope. Há vida na praça. Nos entornos do antigo Cine Bijou, surgiram várias escolas de teatro e bares simpáticos. Dentro da praça funcionam uma escola de educação infantil, o EMEI Patrícia Galvão, e um supermercado Compre Bem. Aos domingos, do outro lado da praça, na Guimarães Rosa, acontece uma feira-livre que atende a região.

Minhocão: Sempre achei que a cidade de São Paulo poderia ganhar três presentes - 1. a derrubada do prédio do Bradesco que esconde o Copan, 2. a derrubada do muro da Raia Olímpica na Marginal Pinheiros e, finalmente, 3. a derrubada do Minhocão. Curiosamente achei esta outra comunidade defensora da suposta beleza do Elevado Costa e Silva (general, nem o nome ajuda....). Seja como for uma coisa é verdade: aos sábados e domingos quando o elevado fecha para os carros, se transforma num agradável calçadão. No último feriado caminhei por lá. Quando dei por mim estava além da Santa Cecília.

Galeria da 24 de Maio: O paraíso dos Mad Rats que tanto adoro. Saindo de lá, uma boa pedida é o Yakissoba dos coreanos do final da 24 de Maio. Deliciosa porçãozona por módicos 3 reais.

Cafés: Adoro café, em todas as suas modalidades. Recomendo o do Café Girondino, na São Bento, o do charmoso Páteo do Colégio e claro, o do Floresta que fica no térreo daqui do prédio. Sem dúvidas o mais encorpado de todos. Huuum.

Caso não esteja por aqui, sem problemas: plagiando a Praça do Relógio, nesta cidade, enquanto universo da cultura, o centro está em toda parte.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

30 dias

Completo hoje 30 dias de Copan.

O saldo real que posso comentar - e sou capaz de perceber com alguma clareza - é a sensação da saída do casulo familiar.
Sensação ótima.
É como a da libertação de completar os 18 anos, só que desta vez de verdade.
Pra valer.
Genuína.

Não, não sinto saudades.
Minto: sinto saudades dos meus gatos.
Não exatamente da minha família porque percebo, agora mais claramente, que se trata daquelas que funcionam melhor quando as partes estão longe uma das outras.

Abaixo os almoços familiares.
Abaixo as justificativas.
Abaixo as intromissões bem intencionadas.

A minha escova de dentes que está sozinha - e muito bem assim - tem preguiça disto tudo.