segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Juízos provisórios



Chegou a hora de falar sobre o Thiago.
O conheci numa longínqua época pré-orkuteana, mais ou menos quando os blogs eram modinha, quando adorávamos vestir a carapuça indie ao mesmo tempo que a negávamos até a morte. Naquela época, ele estava a frente da Popscene, junto com a Flávia e o Hector. Bastaram alguns comments aqui e ali e surgiu uma oportunidade de baixar em Santos.
Lembro a primeira sensação ao vê-lo. Não sabia direito sobre o que conversar com aquela criatura hétera - sim, ele já foi hétero um dia. Enquanto escrevo este post, me vem nitidamente à mente alguns flashs daquela noite: me sentia meio Macabéa tentando achar coisas inteligentes na Rádio Relógio pra falar. Ou modernas... ou engraçadas... ou... ou... ou qualquer coisa que eu julgasse ter a ver com uma imagem que eu havia construído a respeito dele através dos nossos contatos via web.

Aliás é assim mesmo: não conhecemos uns as outros, mas sim uma imagem do outro. Um juízo provisório que em geral pouco tem a ver com pessoa. Psicanaliticamente equivale a dizer que você, caro leitor, não conhece a sua mãe, mas sim a representação dela.
É verdade que estes juízos provisórios tendem a ser refinados com o tempo, a se tornarem mais próximos do que a pessoa seja na realidade.

Assim foi. Com o passar do tempo Deus inventou o orkut e algum anjo torto forçou a minha entrada no MSN.
Descobri, então, o quão ridículo fui naquele primeiro encontro: um abraço e um sorriso bastariam - por detrás da fachada libertária - e refratária! - do Thiago Baraldi, tem carne e osso, tem sentimentos.
Além disso, há também um passado nerd, realidade por nós compartilhada. Um passado nerd do qual nos orgulhamos, mas também queremos nos vingar. Estou errado?

Daí ele se tatuou. Fez questão, sabiamente, de puxar a minha orelha quando falei mal das balinhas de goma. Tem - sempre teve - uma visão libertária acerca do mundo.

Quanto a mim, embora não tenha me tatuado, (apesar de estar na pauta das minhas cobiças), me furei todo. Aprendi a tomar cerveja em copo de requeijão e a dar um grande foda-se mental à uma moral imbecil que sempre me fora empurrada. Tudo influência do Thiago, coisas que talvez até este momento ele não soubesse, acredito.

Agora ele ganha o mundo. Vai pra Barcelona sem volta prevista.
Espero que leve na bagagem o meu abraço, a certeza da minha admiração e os meus votos de felicidade.
Afinal, alguém desta nossa geração gouche precisa desencalacrar.

Adeus Espantalho, adeus Homem de Lata.

Um comentário:

Leo disse...

E aí Gori?!
Ja foi seu aniversário? Vai ser? Bom, deixo aqui meus Parabéns à disposição para quando melhor lhe servirem...

Ainda to esperando um convite formal para eu conhecer seu novo habitáculo no Copan, ok?

Beijos!