terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Das três metamorfoses



Das três metamorfoses do espírito: como o espírito se transforma em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.
Há muitas coisas pesadas para o espírito, para o espírito forte e sólido, imbuído de respeito.

(...)
O espírito transformado em besta de carga se sobrecarrega das coisas pesadas, por mais pesadas que sejam. Como o camelo, apenas carregado, corre em direção ao deserto, assim apressa o espírito para o seu deserto.

Na extrema solidão do deserto, ocorre a segunda metamorfose. O espírito se transforma em leão. Pretende conquistar a sua liberdade e ser o rei de seu próprio deserto.
Procura então seu último senhor. Quer ser seu inimigo e seu último Deus. Para sair vencedor, quer lutar com o grande dragão.

Qual é o grande dragão a que o espírito já não quer chamar senhor nem Deus?
"Tu deves", assim se chama o grande dragão.
Mas o espírito do leão diz: "Eu quero"


(...)
A criança é inocência, esquecimento, um recomeço, um brinquedo, uma roda que gira por si própria, movimento primeiro, uma santa afirmação.

(...)


Nietzsche, Das três metamorfoses in Assim Falava Zaratustra.


* * *
Esta é a minha retrospectiva pessoal do ano de 2005.
Até julho fui camelo, depois virei leão.
Hoje estou num limbo que anuncia a metamorfose deste leão.

Que em 2006, ou antes, venha a criança.

* * *
Arcano XXII: O Louco, em posição direita.

2 comentários:

matheus disse...

Arcano? Metamorfose? Tem como tomar uma antes?

Anônimo disse...

aposta no jogo do bicho, oras.
e lembre se que no seu aniversário vc foi macaco. eheh

Murilo