segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Fogo fátuo



A Fogueira [Medurat Hashevet]
(2004)

Em 1981 Rachel, viúva há um ano decide ir a encontros armados por uma amiga.
Por essas conhece Yossi, um motorista de ônibus já veterano desses encontros murchos e malfadados.
Ele conhece bem as pessoas ocasionais e sabe que Rachel é diferente.
Ou ao menos gostaria que ela fosse diferente.
Afinal, as pessoas ocasionais, assim como os apartamentos alugados e as cidades, foram feitas para serem abandonadas.

Após várias caronas no ônibus de Yossi, a sensação é de ternura misturada a coito interrompido. Algo substancialmente falta. Algo é abortado antes mesmo de ser concebido.

Não se contendo ele diz:
- Sei que está ficando comigo porque não encontrou outro melhor, mesmo assim, eu queria dizer que eu te amo. (*vide nota de rodapé)

Ela foge do olhar dele - foge na verdade dela mesma, porque somos o reflexo do olhar do outro. Sim, nós somos.
Desde pela porta dianteira do ônibus velho e pára.

Ele: O que você espera?
Ela: Não sei... já me disseram que eu precisava esperar a hora certa, como se fossem fogos, mas eu não sei...
Nunca me apaxonei de verdade.... Nunca...

Ele: Os fogos não existem. Só é capaz de ver a si mesma.
Você é egoísta.

* * *

(*) Esta é uma frase proibida. Nunca diga.
Na dúvida bata uma punheta bem demorada.
Passa.

2 comentários:

1.000ton disse...

Ah, não é assim tão simples não.
Ou é?
bjs

Anônimo disse...

Será que passa mesmo?
Realmente não é fácil.

Murilo