quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O cessar-fogo e o toque do Shofar

Entramos em Elul, o último mês segundo o calendário judaico. Segundo a tradição, neste período que antecede o novo ano, 5775, devemos ouvir o toque do Shofar. O toque simboliza a necessidade de efetuar um exame de consciência e de aperfeiçoar o comportamento no intuito de melhorar o mundo para todos.

Amigos, ontem foi assinado um cessar-fogo ilimitado entre Israel e Hamas. Excelente oportunidade para que ambos (grifo no ambos) revejam posturas. Desejo que sejam capazes de uma reflexão sincera e comprometida para que os erros do passado não se repitam. Ótima oportunidade também para que nós nas redes sociais possamos juntos dialogar e construir mais e anular menos. Sem este esforço sincero e comprometido, o toque do Shofar de nada servirá. Sem isso, teremos, talvez, nada mais do que uma miragem de paz.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Os conflitos e o sal na mesa de Shabat

 Na tradição judaica, a mesa é como um altar. O talmud diz "A mesa de uma pessoa é como o altar que traz o perdão" (Berachot 55a, Talmud Babilônico, aprox. séc II EC). Nos sacrifícios trazidos para o altar do Templo usava-se sal e o costume de untar o pão com sal se desenvolveu como uma recordação do sistema de sacrifícios. Prezados, os sacrifícios em nossa tradição foram substituídos pela oração e principalmente pelas nossas *ações* (grifo meu). Que neste shabat possamos juntos, judeus e não judeus, refletir sobre o que de fato oferecemos com nossas ações no mundo real ou no mundo virtual em prol do diálogo e do entendimento. Shabat shalom lekulam.


Sobre o diálogo e a paz

Judeus se cumprimentam com Shalom e os muçulmanos com Salaam. Ao pé da letra Shalom e Salaam quer dizer paz. No hebraico, há uma variante: Ma shlomchá? (como está a paz em você?). Sempre me perguntei como é que pode dois povos que se cumprimentam diariamente com a palavra paz para dizer oi e tchau brigarem tanto um com outro e também entre si? Talvez seja para nos lembrar que a paz é mais do que um momento de calma que acontece por si só como mágica: a paz é a resolução pacífica de um conflito e para alcançá-la é necessário esforço e comprometimento *mútuo*. Talvez os cumprimentos Shalom e Salaam sejam para nos lembrar constantemente que precisamos nos envolver para que a paz se realize e que um caminho possível para isso é o diálogo, o olho no olho e a vontade de fazer diferente. Segue uma iniciativa bacana e Shabat Shalom. http://www.conib.org.br/blog/noticias/925/em_viena_jovens_muculmanos_e_judeus_combatem_juntos_antissemitismo_e_islamofobia